O uso de telas pelas crianças
A Academia Americana de Pediatria (AAP) recentemente atualizou suas recomendações sobre o uso de telas por crianças, destacando a importância de limitar o tempo de exposição a dispositivos como TVs, tablets e smartphones, especialmente nos primeiros anos de vida. Para bebês de até 18 meses, a recomendação é evitar o uso de telas, com exceção de videochamadas para interação familiar. Isso se deve ao impacto que a tecnologia pode ter no desenvolvimento cognitivo e emocional das crianças, afetando, por exemplo, suas habilidades de comunicação, atenção e regulação emocional.
Estudos sugerem que o excesso de tempo de tela pode estar relacionado a problemas de saúde mental e problemas neuropsicológicos em crianças, como aumento da ansiedade, dificuldades de socialização e até mesmo maior risco de depressão na adolescência. O uso excessivo de dispositivos pode também prejudicar o sono, interferir em atividades físicas e reduzir o tempo de interação familiar e com amigos, aspectos essenciais para um desenvolvimento saudável. Crianças que ficam muito tempo expostas a telas podem acabar isoladas, com menos oportunidades de aprendizado emocional, o que compromete sua capacidade de lidar com frustrações e construir relacionamentos.
A recomendação da AAP também orienta os pais a monitorarem os conteúdos acessados, garantindo que sejam adequados à idade e que tenham valor educativo. Os pais são incentivados a promover o equilíbrio, estimulando brincadeiras ao ar livre, leituras e atividades que envolvam interações sociais reais. Dessa forma, o uso consciente e moderado de telas pode fazer parte da vida das crianças sem comprometer sua saúde mental, respeitando o ritmo de desenvolvimento natural e preservando o espaço para vivências essenciais da infância.
Os pais podem identificar o aumento da ansiedade em crianças pelo uso excessivo de telas observando sinais como irritabilidade, dificuldades para dormir, agitação e problemas de concentração e distúrbios neuropsicológicos. A criança pode também demonstrar resistência em parar de usar os dispositivos, ficando frustrada facilmente.
Dicas úteis para os pais:
Estabeleça limites: Defina horários claros para o uso de telas.
Priorize o sono: Evite telas ao menos uma hora antes de dormir.
Monitore os conteúdos: Certifique-se de que o conteúdo é apropriado para a idade.
Incentive atividades offline: Promova brincadeiras ao ar livre e interações sociais.
Dê exemplo: Limite seu próprio uso de telas para servir de modelo saudável. Essas medidas ajudam a evitar o impacto negativo das telas na saúde mental das crianças.
Dr. Victor Ditz
Doutor em Psicologia
CRP-RJ 05/37132
Drª Andreia Ditz
Psicóloga Pós-graduada em Neuropsicologia
CRP-RJ 05/34493**